quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Passeio Urbano




Perdido na rua deserta
cercado de vazio por todos os lados
amparado apenas pelo chão

Andando pelas solitárias vias
indo pela cidade arrasada
pensando em como seguir
mesmo sem ter aonde ir

Sentando nas melhores sarjetas
observando as piores paredes
vendo toda a falta de horizonte

Se jogando em sacos de lixo
como novos detritos enviados
meu corpo urbano em cacos

Pisando em pedras brancas
desviando das pretas e vice versa
escolhendo músicas de poetas
para cantar sem ninguém escutar

Andando pelos cantos
nem me espanto mais
com a miséria embaixo das pernas

A cidade é uma loucura de pedras
seus moradores vivem nas trevas
não há mais florestas nessas terras
então o que se pode é passear
como toques de piano caminhar
de som em som aos toques

Cada passo dado
noturno descompasso
me lanço na noite sem olhos
vou indo seguindo pelos prédios
pelas grandes vias dos tédios

Escolhendo um buraco
aconchego simples e barato
descanso para um pobre desgraçado



MonoTeLha

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