quarta-feira, 10 de maio de 2017

Sono de Lágrimas



Seguindo perdido no frio
inimigo de si o eu sozinho mendigo
se arrasta cidadão da urbana sucata
limpa com lenço do poema à zero hora
um choro cai rasgando como navalha
fatiando  a cara
até o coração que se apaga
vida que escangalha 

Em sua cama suicida de agonia
deita o pesadelo onírico vivo
viés sonho despedaçado  
desgraça amarga
a vida bastarda
grita sua alma

Cabeça no travesseiro sarjeta 
cobertor felpudo de tristeza
solidão sempre solidária
evidência do vazio e o nada
um sono de lágrimas 
sonhando impossível  sorriso
proibido ser vivo

A cidade é seu precipício
afoga a cama
queda aberta
morte paralela
a vida ali sozinha se encerra
antes era bela
agora triste e velha
já era

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Cotidiano Letal




A escravidão da vida
pútrida indigna
extingue a via viva
antiga nossa trilha bonita
agora fica fria
guerra no dia à dia

Choro nos destroços
gotas no resto morto formado lodo
lágrimas do estudante crocodilo vendido
uma bolsa de apatia
a mochila da China
empresa na fila
inteiro desemprego
fome e desespero

O capitalismo de salsichas
estragos desunidos da América 
é uma baleia radioativa ferida
vomitando um telejornal
a internet fezes

O Japão de Fukoshima
está Chernobyl da vida
oceano alaga agonia
plâncton em chacina
não respira a vítima
vida viva

Bomba atômica made in Rússia
apresenta ausente núcleo sentimental
origem em coração vazio
vai à cidade Europa cinza
perdida

Brasil zona anti Amazônia 
 comércio de berços e bebês
vendendo o fígado da menina
uma alcoólatra cria
mãe em dejeto infantil
pivete pileque mundial
um feto dos fatos fatais
raspa de restos

O pesadelo reside em pobre 
pois  há ricos que podem sonhar
o pago sono injusto
nesse bunker bastardo
miséria e desamparo

A demência envia lembranças
passado futurista aos cantos temporais
dinheiro rascunho
plano funeral
jogo de guerra
rabisco inimigo

Emergência do incêndio veneno
contamina com bactérias e vírus
ser vivo vencido mendigo
colado no lixo
morto caindo do precipício
o jovem no suicídio

Raspas do nada
vazios fins de mundo
pessoas e animais
trancafiados pássaros
extinto o ser raro

Um avião contra o ar
a saúde privada sanitária
água de vala
novo tapa na cara
pessoa que apaga
imigrante caminha

Seguindo saída 
fim da linha
era ali a vida




quinta-feira, 20 de abril de 2017

Abandono



O cão foi deixado de lado
abrem porta para o desamparo
expulso ao mundo
perdido no labirinto
seguindo sem destino
nenhum amigo
fiel indivíduo

É uma criança
cachorro rapaz
o senhor idoso
a amiga maravilha
caída na elétrica avenida 
um trem passa na linha


Uma moça sem chances
o adulto apaixonado 
pivete do coração
detento sem visita
o mendigo tido como vírus
todos abandonados
expulsão do carinho
adeus vivo ao ser esquecido


Amigo e amor
se foi um dia
fim da lida vizinha
agora a solidão inimiga
vacila na vida


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Casa de Chás





Corpo em colapso desconforto
avizinha sua parada na cidade nefasta
momento difícil às cinco horas coloniais
passa o forte sufoco na agonia da tarde
ao chá e café com bomba nuclear
o ferro velho sentimental pousa
és a ave engaiolada da cidade!

Está ali a pútrida bebida
armazenada em chaleiras segregárias
bebem os excluídos de sonhos no local
ralo dinheiro é pago
miseráveis de salário sabem ser caro
pesadelo no ar regrigerado

Segue à mesa lógica atendida
sem emotividade benigna
cadeira de desespero
preenche com o trapo esquálido
farrapo humano de desamparo

Senta sentindo sinistro serviço
acolhido pelo vazio freguês
acrescenta a colhér de mexer caos
 pede erva de trevas pós modernas
mistura o enjoô e a liquidez
vez desamor expresso
indiferença fumaça
sabor vala e tapa na cara
ingere a amarga golada
gosto da desgraça

Há o açúcar tecnológico do desprezo
 enriquecido de urãnio mentecapto
engolido com a temperatura solitária
uma dor mundial de cabeça
povoa a fria xícara

É a casa de chás das lágrimas nossas!
Uma cafeteria do abandono!
Chás para todos os desgostos!

Engole ali a depressiva vida
beirando seu suicídio
traga o veneno coletivo
o triste ser indivíduo
humano perdido como vírus
um rico mendigo
paupérrimo dolorido
patológico psiquico ser vivo

Ingere biscoito tolo no lodo
molha ao caldo de desperdício
nome vulgar ao chamado sangue
uma mordida de alegrias não vividas
fez lembrar a escola menina
onde perdeu a aurora viva

Deitar no parque não é mais possível
apenas o pesado negativo em mesa
sentado nos problemas mastigando a dor
bebe o medo nervoso
espanta moscas ou mosquitos do tédio
perturba a garganta mental
amídala cansada em pãnico
passa a gosma malévola

O rosto gelado de lágrimas
ajuda engolir esse  farto fardo
vomitando para dentro
o desgraçado pedaço
biscoito magoado

Já caindo a noite doente
lamenta sua radioatividade chorosa
uma tristeza bélica e fotográfica tumular
se acolhe na calçada suja de humanidade
um telefone celular dormitório
entrando no sono da ignorãncia
adentra certos pesadelos pessoais
frases de poesia malditas são lidas
fagulhas vivas da agonia
a vida bela farta e bonita
agora cai perdida
segue sendo ai 
extinta


domingo, 12 de março de 2017

Veículo Comercial




É o carro do capitalismo velho
passando agora na sua rua
aceita usina nuclear carcomida
feridas radioativas vivas

Compramos vírus engavetado
bactérias de largo estrago vasto
desespero engarrafado

Velhacos mísseis intercontinentais 
egoísmo de segunda mão enferrujado
vencido tanque de guerra
patifaria bélica em geral
carro devassado de polícia genocída
quadrilha de víbora indigna
fóruns de justiça cara e maligna
restos de esperança

Compra-se velharia
abandonados direitos civis aniquilados
corpo social em desamparo
moradores de rua em trapos
cadeia violenta e escola hiper lotada
campos de concentração neonazista 
 sofrimento mútuo absurdo

 Revólveres de destruição em massa
comida desperdiçada  podre e vasta
sucata de vida urbana contaminada
panelas velhas da escravidão 

Lágrimas amargas
dinheiro sujo de lucro 
compra-se o mundo


sexta-feira, 3 de março de 2017

Árvore das Tristezas







Ando voando na agonia dos dias
sou folhas para em breve pousar
 um morrer meu de desespero
lida de injustiça fria a vida
passo caindo rápido pelos infernos
são circulares opressivos
 cidade carta marcada

Amigos mendigos dizem olá
rasgo pedaço desse coração taquicardico para doar um alimento
um vento predial me move no baldio terreno cerebral devastado
planto uma árvore no deserto humano
vegetal que sou solto semente
livre de livro papel escrito
celulose com dor forte


O social pedindo para me queimar
 gasolina gratuita dos dias
é um verão sem chuva viva
minha vida frita
há apenas lágrimas proibidas
  raízes secando as esperanças
nas folhas meus poemas tristes
com os maus dizeres das pessoas


Me expulsam em viveres
afastando da pequena floresta
jardineira moça bela
enamorada esfera
desejam apenas solidão e motosserra
minha árvore caída e velha


Uma terra feita pela televisão
a ilusão que acreditam de jornal
mentira que dirigem minha vida
ela grita de manhã todos os dias
a agonia de ser desfeito
madeira em motosserra psicológica
física tortura em corte
apenas mais um tronco pobre


Jogo flores brotantes no vazio existencial
me proíbem ser um digno
cortam liberdade de seguir indo
letras duras no galho seco me ferem pena
o ataque para me defender
 negado ser legítimo
cospem em meu ser vivo


Antes pacífico me chamam agora violento
uma poda para ventrículo esquerdo
cimento ao cérebro sentimento
grandes grades me prometem
punir cada flor e folha
virando lixo sem reciclo
réu no precipício





quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Residência





Casa de ar
tijolos feitos com vazio e ausência
residência do nada
abrigo vago a vida indo para o ralo
bueiro das oportunidades
abandono e desamparo da calçada

Aposento nulo sem o futuro 
cor de luto e a cama chão
pesadelo travesseiro
cozinha esfomeante com restos e vento
banheiro podre desespero 

Sala de mau estar social
quarto com parede saudade
não é ar livre a poluição
a decoração desola
rua da cidade
esmola-se a vida


terça-feira, 24 de maio de 2016

Socorro





Madrugada em trapo pesadelo
a fria favela das nossas vidas 
há desespero e tiroteio de angústia
uma febre para esquentar o coração
estou ficando louco de cidade tumefacta 
nadando no lodo horroroso
tortura na vala de lágrima
um beco sem saída para o futuro
 correndo no fogo cruzado
pedaços de coração e churrasco
me internem em baixo da terra 
hospício da mamãe natureza morta
a camisa de força unissex vestida
roupa para que o chão engula

A dor como calor desumano
meus becos do sentir e gemido frio
esse barraco corpo pouco e desabando
cansado de esperar para que apanhe
resiste doente em precipício social
a dor girando louca pela comunidade
inocência caçada como culpa pútrida
vomita bílis e vida horrível triste

A solidão uiva uma avenida brasil
carros passando em cadáveres
carne dada aos vermes

Vila Depressão de Olaria
Mau estar da Penha
Subúrbios da zona morte
baixada fluminense em queda
estamos em um inferno febril
a dor e o sofrimento se beijam
esquina do esquecimento número zero
bairro da desatenção macabra 
alucinações da realidade em vomito
uma repressão chamada cidade

Deito no canto do gemido 
a solidão sendo cobertor comunitário
dormo os nossos infernos gastos
pesadelos acordados ninam
é uma triste resistência popular
onírica realidade da desgraça
dorme profundo subúrbio dos dias
carnes periféricas do açougue mental
apodrece na sequência do sonho
desperta daqui a pouco para o horrível
acorda a comunidade em extinção
balas da munição monetária 
somos os corpos hospitalares
carcaças na escola esmola
pedaços do resto de esperança
inocentes tratados como lixo
banquete para o luxo e luto

Socorro para esse mundo louco
horror triste
quase prefiro estar morto




Amputação






Dor aguda agulha
caminha na sala de desespero
sem sair apenas ficar
círculo de ar viciado
gritos sobre perigo
vírus vestígio vestido em aflito
ausente encontro ao caminho
apenas em pé
dá muita dó de nada fazer
sem sentar ou dormir
embala sofrimento saco vazio
o homem e a mulher

Cabeça caída psique ruína
tristeza para ver tv
notícia em cima de queda
vida idosa velha violência
amputando cérebros sonhos
   
Pesadelo acordado em frutas podres
legume veneno velha marmita
idosa vida cara no lixo
agonia noite e dia
abandono hospício hospitalar
 ausência e aflição com analgésico sem efeito
inflamaçâo da infecta carne abusada
manobra dos governantes
ceifar cabeças com canetas

Apenas barulho
Lá lá lá do blá blá blá
música enlatada para vida sardinha
noite fria passa quente inferno
fala fatal do cantor sufoco
guitarra agonia solo sem água
bateria puro desritmado cardíaco  
um coro ardendo com urina
a pele arde tarde enferma

Passa atraso largo vasto
solitária multidão  
atrás  bizarro amargo
presente aniversário
sem futuro 
        


 


Chuva





Pingo ai
dor sem apraz
funda lágrima esquina
que deita
corpo molhado
chora ferrugem
 agora ferro velho

Não funciona corpo
prioridade vencida
data água que passa
olhos solidão molhada
azeda fila de espera
janela hospitalar caseira
mundo pessoal doente
sem doce analgésico 
chuva no coração  

Cabisbaixo apagado
catarro ao vomito
sofre frio
assim caído
desperdício idoso 
o hospital está morto  
fim do povo



Refeitório Social







Agonia alimentar com fome e corante
 destruição conservante tumoral 
devastando o estômago seletivo plácido
supermercado social distribui dor
endereço do restaurante das fezes infelizes
produzindo o prato do dia
uma madrugada intoxicada
vomita a sua saúde
triste anemia menina

Crianças negras despedaçadas
vendidas como carne barata
é um banquete da crueldade racista
chamada culinária da justiça

Massa salgada violência tida educativa
regendo um inferno humano qualquer
campo de concentração neonazista alimentar
fazem sofridos seres vivos a sua comida
sendo restos e vômitos no lixo

Abuso de poder no cardápio
fatiando direitos com covas
mesas do ódio central
pratos frios com relíquia histórica
gasolina queimando a panela social
receitas do chefe sofrimento

O poder sorrie sua doença interna estomacal
falsidade nos dentes afiados lucrativos
mastigam liberdades e justiças
réus inocentes queimados em churrasco
máquina de moer sonhos
sirenes temperando os pobres
negros açoitados
mulheres e índios
jogados no abismo




 

Farmácia





Ano novo avizinha a super bactéria
dançando pobreza nos coletivos
passos dados em estragos
um balé trágico em ar condicionado
epidemia em passeio pago
frascos disseminados
hecatombe e desamparo

Remédios de prateleira em visíveis saltos
dólares e euros sorriem um vírus emotivo
pagando para viver humanos bailes
as máquinas de laboratório giram
moribundos lucros

Mascarado lucrativo dançarino
a ópera hospitalar terminal
uma cidade em puro genocídio
teatro municipal abismo
perigo ao ser vivo

Mutação e inércia
cortinas pegando câncer
fábrica dos efeitos colaterais
a febre da platéia
a doença espetáculo
pílulas sabor extinção



Cacos de Canto






Canto sujo
fresta fria sonora
cidade eterna cimentação do músculo cardíaco
 dores públicas músicas
 letras na parede carnal
 analfabetos sociais regentes
 viaduto espetáculo ao nada
a casa que se apaga
penitenciária planejamento de moradia
governos constrôem jaulas alegres
gastos para rasgar barrigas sonoras
carros que passam
sinfonia do tapa policial na cara
água de vala em regência
bueiro instrumental

Rádio Chopin noturno de pilha nuclear
dejeto filarmônico inimigo
abraça flauta saco corpo em lixo
música do surdo
tanto faz mais vida lá atrás
mundo perdido dentro do umbigo
 remédio e sinfônico vírus
ser humano destruído
dança no precipício
o concerto fora de si
largo som vasto da miséria
língua coro podre e velha
lambe para comer
restos de si
 partitura fúnebre

Choro pela fissura violino
piano lágrima velha que leva
vida em ilha deserta
sozinho e nada alegra
uma cantiga velha

Gotas do oceano tristeza por todos os lados
banhando sua solidão
canto cidade
gemido social
assovio do ar poluído a sinfonia fria
ouvido computador da fossa auditiva
lucro capital gravando gemidos
um musical futurista
o perigo abissal de ignorância viva
a humanidade falida
vidas extintas
o grito é um silêncio
final vazio




Lama Financeira





Rio doce de sangue sujo
um adeus cor marrom
metal pesado do vasto desamparo
farto e amargo dinheiro ao mar
sujo lodo de dor
a lama cobre a esperança
sem oxigênio
o desastre veneno

Peixes choram fora d´água
rio de lágrimas contaminadas
através das barragens feitas
um mundo muro
 futuro em luto

Impostores fabricando corações de ferro
a natureza morta indo ser vala
linda água que estraga
a vida ali passava
a morte agora traga
humano bicho
o líquido que virou lixo

O pássaro que a água ali bebia
é uma hemorragia da vida perdida
lucros da tecnologia que tudo esvazia
um funeral planetário onde enterram
caixão marrom
 peixes e sonhos



Fraqueza Letal




Arrasto paredes das ruas
 rosto em cansaço no cimento
concreto levo a face arranhando
um chão de favela ensanguentada
existindo no perigo
tanto faz agora
sozinho sumido sorriso
seguir sentido beco sem saída 
tiroteio é endereço
assim me perco
a dança chamada cidade
prisão ala central
a casa custódia tristeza

Vivo sufoco
grito do socorro povo
virando uma música fúnebre
desespero precipício 
dormindo na beira da morte
engolindo remédio velho
 sono caindo
dentro do pesadelo
afundar sem demora
farto do amargo

Proibido se proteger sentir medo
o pleno desespero
plácido solitário na multidão
agonia todo o dia
para noites de  febre alada em gaiola
sofrimento coletivo e frio
lâmina de fatiar esperança
vida sabor ferro velho

Lotação máxima de vazios
superpopulação crescente
doenças trogloditas mentais
espancando esperanças
corre sangue suicídio
saindo por todos os lados
poros e furos
cortes de si


         





domingo, 3 de abril de 2016

Versos de S.O.S




No meio da cidade periférica esquecida
a madrugada mental solitária silenciosa
apavora o sol bruto rasgando concreto
numa sede em água suja banha o calor
caído canto e o resto piano 
toca uma música suave em pingos puros
para chuva delicada no pensamento
teclas da voz em coro doloroso
pois há um choro em meio ao fogo
estrofe sufoco
pedindo socorro


Protege o corpo como pode do soco forte
lá fora o pesadelo fere para entrar ao sonho
viver no atentado institucional custa pernas
dentes que fincam a comida imaginada limpa
barriga e sexo feridos de agonia
a busca do corpo para não ficar louco
tudo escrito nos sons do ar aos vãos
beco do sentir 


Anatomia das letras escritas com cortes
o vermelho que sai literatura para a parede fria
apagando um cérebro coletivo o genético brilho
a dor de todo ser vivo vendido


Arrastam nas tristezas antipáticas
bactérias e vírus disputando o ser em ralos remédios
uma imaginação de si por ti no carinho
pisando nas minas terrestres do ódio e lucro
todas essas ruas perigosas do lá fora
explodem aqui dentro em coração partido o resto de ser
sobrevivência escondida no esquecimento global
a partitura da rima aérea apagada
show de fumaça
avião na vala
cidade nefasta


Canção perdida na poesia da esquina
um estudante da sala sem luz musical
adulto analfabeto universitário
assiste a televisão cemitério
atores da novela econômica dizem para comprar
numa troca de sangue por comida a janta que se mexia
a escrevidão de todos os dias do lodo
uma galinha com cabeça de boi chorando
velocidade lacrimal humana
dor em todos os homens na fila
mulheres espancadas por maridos inimigos fabris 
uma indústria de carros para atropelamento e alcoolismo
crianças desaparecidas dentro do matadouro suíno 
uma imundice urbana paternal  e robótica
molhada por todas as nossas lágrimas vastas
a esperança escreve um verso de s.o.s
salve-me 
amor humano






domingo, 31 de janeiro de 2016

Navio de Colina






Passeios na montanha solitária
área cerebral do desespero e medo
onde estamos todos juntos
chorando chuva ácida nesse planeta radioativo
ex rios doces agora possuem catracas amargas
  estão com dejetos nucleares felizes
 extinção sorri banguela descendo o nível de espécies
agonia para pobres vivos carregar ricos nas costas
numa subida macabra carne escravizada
césio 137 sabor peixe lata marca oceano pacífico
bolsa cambial de água tonelada
Fukoshima e sua vala bastarda
que vaza farta desgraça
levada para cima encontrar a queda

Sacola do mercado câncer
subindo a ladeira
morro de mortos
boiando no ar pesado tiroteio
são as nuvens do precipício
 é altura confusa da mente humana
mentiras do jornal para limpar bumbum
a verdade do degrau irritado
passo dado alarde macabro
golfinho e humano tumefacto

 Há o lago no topo chamado mar em guerra
vulcão de extinções animalescas
subir os preços à comida como luxo
pessoas vivendo dentro do lixo biológico
gemer em sexo zika vírus como aids e chocolate escravo
Chernobyl esquecida no bolso furado
microcefalia governamental cega
vacas e crianças latindo febres
deformações editadas do filme de terror real
sem chance de saída havendo apenas loucura
a emergẽncia é caríssima
olhos da cara estátua sem fazer nada
internet inércia dos carinhos robóticos
mãos enferrujadas de corrupção carnívora
mastigam super salário para queimar índios
destruir florestas em tribunais floridos
sentenças do campo de concentração carioca
proibido se defender
também eu e você


A gritaria é com choros lucrativos
dor na subida quilômetros sofrimento 
acima do nível do antes mar agora esgoto lacrimal
solidões não suaves navegam nesse lodo
a cidade em pleno desespero flutua
o coração alardeia ataque sonoro apito de navio
socorro grita a garganta
formigas na vista de alto prédio
ruínas do sentir estampadas nessa popa
estamos à deriva asistindo tv
ecologistas extintos em troféus 
diplomas de vencidas profissões 
pilotando a máquina dos destroços
uma montanha com aparência do rosto humano
a vida patologicamente atual declina
num esquema transverso de engenharia
carrossel fuleiragem nuclear
pane sem amor
o navio é  um definitivo avião
sem ter onde pousar
 não há porto seguro
só futuro luto
vazio e mudo


Gritos de dor plenos conservados
tudo caindo no abismo absurdo
chances vendidas à bancos suiços de inferno dantesco
o calor e a falta de aŕvores mandam cartões postais
realidade virtual do passado na mesa de madeira
um computador em ar condicionado fútil
destruindo tudo sem parar
avançam humanos servindo
um banquete de fezes coloridas
a si mesmos


Desmorona a civilização automática
navio e abismo
lixo como comida
trangênica alegria alérgica
continuando assim
leque do puro frio suicídio 
seguindo cai do vasto abismo
muito cuidado
eis nosso mundo perdido
extinção e delírio
a vida como vírus
o perigo



terça-feira, 14 de julho de 2015

Indigente






Leito no frio
calor humano mendigo
sorriso meio fio
sarjeta de alegria
a cachaça passaporte cemitério
 avião de destroços
voa alto
saída do pesadelo
mundo inteiro

Serviço social necrotério
registro governo indigente
terra morada do miserável
pá é mansão lucro burguês
funcionários de poder 
assim ganham da morte do pobre
riqueza

Não se faz notícia
antes vivas feridas
agora esquecido e indigno
o mendigo




Automóvel






O cansaço vasto deserto
caminha solidão no olhar da parede
cinzas do tempo pelo canto da boca
uma música medonha para dormir 
o sono do caminho acorda planeta pesadelo
é hora de cair no vazio
pulo automobilístico do abismo
diz o chefe trânsito

As ruas de teu cérebro estão engarrafadas
há um congestionamento do sentir
pois pensar deve ser pago
moedas do ouro miséria velha
prestações do veículo corpo
um comércio letal de bebês
guardados em álcool do bar
encharcado no vício

Deita no veneno do banco de pedra
último modelo de tecnologia medieval contemporânea
bizarrices riem envoltas de lágrima combustível
é de fato o carro
corpo mecânico avariado
anos de chumbo em tráfego lento

O pesadelo foi viver o sinal vermelho em verde
a morte uma estrada ficou querida
a física inerte é o pesadelo  profundo
simplesmente por se mexer
o carro bate
a vida como acidente
faixa de pedestre
fim da linha 

 



segunda-feira, 1 de junho de 2015

Abandono







Apenas só
aguado em lama do peixe sufoco
chuva alagamento das lágrimas
a despedida menina
menino Hipócrates
parto feto falecido
doenças cifrões na tarde
o governo brinca morte
lida em dinheiro os ricos
pagando para ver a pobreza
atacar em filme videogame cruel
a sina macabra cidade carne
desperdiça vida em via
uma bicicleta merda
pedalando agonia viva
nem um centavo valia
amarga juventude perdida
também a medicina na triste esquina
asfalto do sangue ciclo
desarmonia em fim perdido
toda vida em perigo

O público agora privada
está seca sem água no banheiro maldade 
superpopulação em leito de morte róseo
ala de desamparo enfermaria número quatro
o lago de fúrias e poluição ausente sentido
idoso rosto da estátua desrespeitada
o médico Jaime Gold professor foi queimado
são facadas em farpa depressiva
vasta farsa social aos olhos em queda
falta noção o tato toque
surdez para música bonita
são as asas em corte assadas
um churrasco de sonhos
pesadelo acorda realidade
classes antissociáveis capitalismos
a fábrica de ser bandido
lucram absurdos bancos da praça mundial
contas a pagar com moeda biológica
uma guerra verme e velha
mau estar de civilização para roubar
 doenças crônicas cédulas de alto cifrão
estafilococo aureus pútrido burguesismo
uma cepa de bactéria pós moderna
comendo todas as pessoas num restaurante terrível
 gangrena gasosa sonora em barulho dos pratos
somos nós a comida de enfermo
indo até a boca do monstro caixa registradora
ceifando solidariedade e abrindo covas
uma economia assassina que diz bom dia
capitalismo ferida antiga

Há hospital doente de lixo
empobrecido com a ganância dos dentes privilegiados
mastigam também escolas analfabetas
viés notícias de televisão para cegar
a violência é produto vendido
tudo como resto do almoço na janta
migalha de sorriso
cidadão mendigo

Vão indo esperanças
seguem tristes mortes
caminhos cansados
sofrimento fútil combustível injusto
salário máximo privilégio e miséria
mansões no inferno terrestre
barraco desabando no montanha de carinho
és o terrível cargo de dor
crachá chip mental marionete
 a esquizofrenia latifundiária 
shampoo arrogante aos cabelos ferro
 toda a invalidade do mundo

Deita na sarjeta de gelo esgoto
queimando a indústria dentro do corpo
amargo câncer  ascendente açúcar refinado
diabetes tensão cardíaca e sal
telefone carcinogênico liga para você
mas a saúde lhe abandona 
pagador de impostos
encolhido no chão com o feto
é também a criança esse adulto
infortúnio sem futuro adolescente
tudo nulo

Agora é ferido por palavras 
eis fria fina poesia cotidiana que fatia
coração triste bate bate a cabeça em parede
o relógio cai nossa vida 
a esquina e vento sujo
poderosos arremessam entulhos
tanques de guerra e cérebro bélico
grades e febre rosa remédio de farmácia
chá de genocídio bruto lucro fútil
sangue de ser bicho humano abatido
também do lanche animal extinto
enlouquecendo humano sozinho
morto vivo








segunda-feira, 13 de abril de 2015

Alarme Global








Oh humanidade
 sua suja carne invade toda parte
um câncer eletrônico manual
 riscos traçados militares
 pura sede contaminada
 os grupos químicos digitalizados em pele
são pílulas de mau estar vivo caindo
caminhos bombardeiam flores
veias abertas na velhice precoce
são agora crianças vísceras ogivas vítimas
riem drogadas de web e tédio
prostituídas por água suja
tudo o novo velho
um mundo devastado cor de cinza
eis robô diz aonde ir
exato nada
bunker do coração
horror cerebral
carne de chip


São agora carros e bonecas
jaulas macaco estilo roupa contaminada
o laboratório abismo jardim da infância
futuro primitivo uga uga
novos aviões Enola Gay sabor indiferença
distribuem sacos de lixo resto índio
censurados berros gratuitos mendigos
ouvidos no alarme profundo
estado estrago vírus bactéria bélica
última moda de Paris doente
ataque do pânico anilina
bola cenoura Napalm
café com sua tia acabada em lágrima
bizarra taxa cara e vasta
a conta matemática errada dos seus dias
aflição viva da sua vida
socorro proibido
restos vivos em perigo
ataque químico


Ser miséria velha
superpopulação na tarde
delírio coletivo em febre cinema
cadeia pública
o açougue carnaval
punição básica música
universidade do crime 
loucura hospício reabilitador
 pular do prédio encantado número 1984
tomar teu veneno madrugada
assistir o canal problemático
deitar na casa triste a rua
cor cinza agonia
uma indústria de móveis
teus cômodos do coração na esquina
infartos depressivos em máscara alegre
mansões do sono remédio aos pés
pesadelos em suas colchas carnais
ferida travesseiro
pesadelo


Ruas costura
nó visão cega
cada quebrada peça
quebra cabeça de educação falida
corpo queimado inverno
o labirinto lápide
a poesia finca
analfabetismo nuclear
usina radioativa das letras
raio gama nos derrubando
sem amor
sem saída 
o beco história pós moderna
às sobras contaminam fins
inícios dos restos rastejantes
são os sonhos pintados com césio
vinculados ao amargo fardo desamparo
a natureza sua linda inimiga
falecida vítima
tristeza vizinha
a agonia


Veneno fetal infeliz
genética Frankenstein
planeta devastado com flores de plástico
continentes funerários
a brincadeira desespero
é o parque crianças e medo
 adultos mísseis desfiladeiros
é sempre para baixo depressão
sua extinção humana
mercado final
tudo bizarro
alarme global
gritaria de bebê
é você chorando
pequena dor universal
sou eu você
piano ao fundo
nota lágrima
tecla de nós







sábado, 21 de março de 2015

Guarda Roupa





São vestidos com rasgos
guarda roupa de vazios
a endumentária carne machucada
estou humano vestido com planeta
terno e gravata nuclear
há o casaco de lágrimas coletivas
uma calça preta poluição sonora
são ruas nossos desesperos de cetim
meias desenho desgraça
tinta de sangue e pau brasil
vestuário terror amassado
tecido da extinção

Nosso armário do sentimento rejeitado
a velha blusa solidão
combinação calcinha doença venérea
cueca patológica machista
tudo adquirido na liquidação da esperança
os trapos moda dos anos passados
são velhices morais em leis
é camisa pesadelo
algodão cru da fome e medo
 cinto miséria
broche horror

Casaco do suicídio global
agonia aos fios frios do calor desumano
roupa queimando índio
uma pena de pássaro esmagado
bicho pele arrancada
sapato problema crônico
chapéu doença mental
um cachecol da tristeza grossa

Uma lingerie para a noite da guerra
crianças pisadas pano de chão
idosos costura em parede
balas traçante corte de modelagem
moda sofrimento

As roupas de amor não cabem mais
camisa de força opressora
pijama despesperado modelito
decadência engomada
bermuda cor desisto do sonho
blazer sem socorro
chinelo pobreza

Há coturnos marchando eternamente no rosto
medalhas destruindo coração
sobretudo o nada

Não pode ficar nú
o uniforme obrigatório magoa
é o trabalho
destruir o mundo
fardas



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tristeza e Frio







Multidão gemendo em coro
escorre pelas ruas com fel
preenche copos de cólera festa
somam cubinhos profundos de fezes
acrescidos com gelo social adocicado de alienação
uma plena amargura enganosa aos nossos dias
dança na beira do abismo
bêbada e triste
eis açúcar que não salva
nem alivia vida
oh nós


Um chuva ácida sensação
gotas de lágrimas fúnebres gratuitas
fere com seu frio pago de ar condicionado
uma cidade para chamar sua ignorância
vomitando uma bílis fresca
para um forte ausente abraço


Poças de solidão congelada
há o vento vazio sem sementes
beijando esse chão duro coração
um inverno ficou
estações o sabem


Cientistas e padres apodrecem
permeados de lama existencial
caldo lodo cáustico inerte
sem mexer no deserto nuclear
 o químico do ser humano
algo que faça sorrir
banguelas do hospício letal
o perigo diminuir


Já é tarde e tudo se vai
feio para a crise triste
um passeio sem chances
indo a lugar algum
assim fechamos nós
a abertura desunida
um voz despede pedaços
sonho largado


Não há perai
a dor entra sem bater
 prédio rasgado de papel higiênico
um intestino esmagado ao cárcere florido
um grafite pelas paredes
bonitos desenhos inúteis coloridos de dor
pintura rupestre de peste pessoal
trata-se do globo
planeta ao menor ponto
um ônibus passa em cima do amor
idoso Amaral 


Há uma notícia pior
tudo podia ser melhor
mas não dá mais carinho
agressão aos inocentes e banho em sangue
falta de água alegria
agora apenas tapa da cara
navalha e canto sujo
música


Cantam lunáticas mudanças de relógio catástrofe
é um mais do mesmo madrugada maldita
a dolorida ferida viva
ruas da cidade ruína
nem menino nem menina
é a morte adulta
aos pés da sepultura
dizendo pague o resto
o agora velho quilo carne
um bebê flor no lixo
ele é você 
eis o ser


Sou cinza cidade
uma sujeira azeda
minha imagem no espelho
é meu próximo


Assim afundo junto contigo
durmo profundo na fornalha
um inferno de estranhos fliperama
você e eu sozinhos continentais
embalados em violência
não há saída só o fim da vida
como frio da rua
sedento choro nosso
uma catástrofe mundial
minha pessoa
seu ser
nós









sábado, 17 de janeiro de 2015

Aviação







Poucos passos dar
levanta voo ao eletrônico hangar falido
doa dor beira abismo
caminha em si o fim e segue
analgésico navalha asa
faz carinho falta
fita o nada

Frio verão veio
abraça fezes febre nuvem
nave incêndio e ar condicionado
banho chuva de lágrima frita fuselagem 
ácido choro de sangue 
carga de ar viciado
pulmão vício vírus vizinho
arde brasa o brilho triste
combustível barato de sofrimento
visível queda ao radar
ônibus espacial

A lua é vala
apaga luz esperança esgoto
aéreo rosto de ninguém
horizonte e moscas cintilam
fede corpo torto cansaço
seu hospital doença móvel
barricadas ao léu firmamento
zumbido vento imaginário a esquizofrenia
grita música fim de festa
ouvido surdo fone de ouvido
tudo uma loucura rouca
sublime acidente vêm
vidro visto perigo

É a queda depressiva
ponto terminal
lugar qualquer
cidade perdida

Ataque de nervo óptico
turbina coração sentimento falha
estação precipício chão
sem incômodos caindo
 sono sonho em pleno pesadelo
pouso forçado
explode a vida


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Frutos do Mar









Ainda lodo de hospital mundo
caldo cadáver servido cardápio
bobo de morte sorrindo câncer
Fukushima beija Chernobyl
riso do peixe morto
chorar no deserto
eis negócios

Jantar a luz de césio
ar pesado sem luz
um Japão ali na mesa
nossos corpos carpete
capacho capital

Cozinha para visita
veneno fruto do mar
é amargo seu doce
podre sabor do gostoso
óleo enjoo e fogo

Serviço de bordo senhor
grito mecânico coração
carro afogado piscina veraneio
rio dezembro barras quentes
despedaça calor fusão nuclear
engarrafo litro coca cola amor
todo o ser é passeio hemisfério norte
come seu atômico
como se escreve miséria barriga
tatuagem genética de doença petisco
células loucas de lixo
robôs batendo fotos de si
imagem Tepco

Prato principal mamãe e papai
garfo no coração de filho
desespero na panela
agonia alimentar

Placa da entrada seu nome
porquê não se lê ego feio
blá blá de endereço culinário
é sempre você indivíduo
fatiado e bonito verão
desaparecido oxigênio
digital extinção
bip bip botão
é o restaurante em incêndio invisível
tudo em fogo de calor desumano
assim nos fritando

 Dizem sobremesas bebês tortos
argumento teatro família dinheiro
escultura de ruína pintura do local
estadia sempre de cima escada poder
garçom trazendo a si para comerem
cai para baixo bem pesado
gene colapso público
  vais se doer vivo
arde ler
nada
ser

O coletivo nulo
silêncio indivíduo salão banheiro
água contaminada na boca sem dentes
pasta  fria depressão
mares buracos de tua praia cinza na vista
grite ao passado digestão
surdez futuro mundial
 colher de sal cheia boca a dentro
cada hora minuto de refeição novamente
tempero nuclear

Restaurante perverso
sirva serve sinistro
destruir o ser vivo
 você e eu
nós
nos
extinguindo










segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cumprimentos








Boa noite
pesadelo
dia inteiro

aperta botão computado
tela fria açougue
prateleiras vazias

viver o que
onde há ser
feliz fim? 

Boa tarde
parte ruína 
cansado fali
gravidade
cai pra baixo

gotas corpo lágrima
duro coração
queda alegre
infarte chão
frente fraca
febril agonia dói
teu bom dia

Morta esperança
boa noite olhos fechados
sol inferno lá fora
gelo humano dentro
fim fino frio





domingo, 7 de dezembro de 2014

Esgotamento








Tristezas beijam cálidas mágoas
ressentida viva
fixa seu abraço vazio
inexistente laço contato
separa olhos
um nariz e poeira
álcool  na boca
algo desespera
fumaça chaminé indústria
a todo vapor fétido
o nada

Aperta concreto quente
coração congelando azul rede social
ala ansiosa noticia 
é solidão vírus
 ego erguido perigo
sozinho indivíduo
multidão de ninguéns
sorriem loucuras salgadas
mar do tempo
barco náufrago
veneno

Agora grito mendigo
é pobreza coletiva dos ricos
miséria popular
jogo nas sombras
restos de nada
amam nós
vícios

Aperta botão
máquina ilusória 
telefona sozinha
ligação perdida viva
aflição brutal e açúcar
suor frio verão
agonia

Pique pega doença
criança creme caldo refogado
pinto boi e natal
adulto deseja pular prédio
papai noel voador
renas angústias
sofrimento

Sua vida abismo
por um fim filme
bélicos em fogo 
vomitam seu não
longe de sim
futuro bagulho
socorro

Guerra e bomba chocolate
amor validade vencida
ser desunido vivo
crack dito amigo
vírus

Centro da cidade cinza
  sarjeta de carne
sangue tinta vinho
escrito resistência ou morte
livros






sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Desespero








Tristeza sarjeta
garrafa cheia sentada
copo corpo vazio
cigarro sorriso saúde apaga
cresce falta
subtrai a soma
onde não se divide bem
mal multiplicado feroz
farto desencanto 


Era uma vez
alguém você qualquer
perdido no moderno
alegria vida lixo químico
fez banquete
come rua suja
molho depressivo
carne câncer 


Dança a música tragédia  
cantando sofrimento casa
ouvido machucado
alarme sentimento
silencio poluído


Pesadelo acordado
manhãzinha chorando sozinho
dorme papelão desejo
suspiro saco comida podre 
oportunidade infeliz
frito e cozido de si
 

Suco de pilha café
o que fezes aqui
vida vicio 


Giro em círculo errante
loucura e problema
 amigo proibido
lar risco
ser perigo


Sobras endechas
resto e raspas
letras carta
bilhete afeto
despedida viva


Lágrimas do esgoto
poluem a cidade
submersa de merda
angustia afilia a fila
todo dia


Socorro grita o povo
vozes no lodo
 morte geme sexo
poder dinheiro
podre viver


Guimba cigarro
gole algoz grito
tonto manco macaco humano
foi decidido agora mendigo amor
individuo vendido
barata e rato


Vitrine condenada
vidros cacos de sonho
liberdade manequim quebrado
 dobradiça vida vazia
parafuso ao nada


Pula fim
abismo infinito
laminas faca em si
sozinho e livre


Amargura beijo agonia
suicídio menino
precipício   

 




sábado, 13 de setembro de 2014

Amputação








Dor aguda agulha
caminha na sala de desespero
sem sair apenas fica
círculo de ar viciado
gritos sobre perigo
vírus vestígio vestido em aflito
ausente encontro ao caminho
apenas em pé
dá muita dó de nada fazer
nem sentar ou dormir
embala sofrimento saco vazio
o homem e a mulher
filhotes secando no varal açougue
sonhos amputados
pesadelo bizarro

Cabeça caída psique ruína
tristeza para ver tv
notícia em cima da merda
tela fria modelo 1984
assiste nossa vala
tiroteio lazer
escola escombro
   
Acordado em frutas podres
uma feira de vaidades gratuitas
legume veneno velha marmita
idosa vida cara no lixo
agonia noite e dia
abandono hospício hospitalar
 ausência e aflição com analgésico sem efeito
teus médicos são lixeiros
saco dos detritos abertos
a esquina eis hospital

Amor sem créditos
amizade lucrativa capital 
inimigo gratuito
ser perdido individuo
abismo de si
vazia queda profunda
lenta perda total 
lágrima lubrificante da morte
nosso falecimento vivo

Comércio do resto velho
corredor cotidiano falido 
perspectiva maldita
fígado e pâncreas fritos
pulmão fumante doce tosse tuberculose
bom dia aids e ébola  
doença sem cura bate na porta
oferta no mercado alegre
uma promoção triste  

É o corredor em incêndio
sala de desespero número da sua casa
bairro cidade mundial
necrotério da esperança com enfeites
uma jaula agressiva e rosa chamuscada
clínica para olhos cegos doloridos
enfermaria sua mansão em chamas
sem fogo apenas frieza
aceita um copo de esgoto gelado
um biscoito grosseiro 
sabor fezes industriais 
 
Ouve o barulho
Lá lá lá do blá blá blá
música enlatada para vida migalha sardinha
noite fria passa quente inferno
fala fatal do cantor sufoco
guitarra agonia solo sem água
bateria puro desritmado cardíaco  
um coro ardendo com urina
a pele arde tarde eterna

Transporte da carcaça
bilheteiro na quantia cara
leva aos confis sub humanos
roda e roleta sinistra
motorista em tanque guerra
cidade dos medos uivantes
vento contaminado no boa noite
madrugada maldita perdida

Passa atraso largo vasto
relógio tic tac que invade  
solitária multidão patológica 
atrás amargo teu azedo
corre louco sem pernas
se joga cotoco ferido
balas de fuzil sabor morango
meu coração granada de mão
estômago embrulhado
primeiro pedaço do bolo fútil fúnebre
 presente aniversário
sem futuro