segunda-feira, 1 de junho de 2015

Abandono







Apenas só
aguado em lama do peixe sufoco
chuva alagamento das lágrimas
a despedida menina
menino Hipócrates
parto feto falecido
doenças cifrões na tarde
o governo brinca morte
lida em dinheiro os ricos
pagando para ver a pobreza
atacar em filme videogame cruel
a sina macabra cidade carne
desperdiça vida em via
uma bicicleta merda
pedalando agonia viva
nem um centavo valia
amarga juventude perdida
também a medicina na triste esquina
asfalto do sangue ciclo
desarmonia em fim perdido
toda vida em perigo

O público agora privada
está seca sem água no banheiro maldade 
superpopulação em leito de morte róseo
ala de desamparo enfermaria número quatro
o lago de fúrias e poluição ausente sentido
idoso rosto da estátua desrespeitada
o médico Jaime Gold professor foi queimado
são facadas em farpa depressiva
vasta farsa social aos olhos em queda
falta noção o tato toque
surdez para música bonita
são as asas em corte assadas
um churrasco de sonhos
pesadelo acorda realidade
classes antissociáveis capitalismos
a fábrica de ser bandido
lucram absurdos bancos da praça mundial
contas a pagar com moeda biológica
uma guerra verme e velha
mau estar de civilização para roubar
 doenças crônicas cédulas de alto cifrão
estafilococo aureus pútrido burguesismo
uma cepa de bactéria pós moderna
comendo todas as pessoas num restaurante terrível
 gangrena gasosa sonora em barulho dos pratos
somos nós a comida de enfermo
indo até a boca do monstro caixa registradora
ceifando solidariedade e abrindo covas
uma economia assassina que diz bom dia
capitalismo ferida antiga

Há hospital doente de lixo
empobrecido com a ganância dos dentes privilegiados
mastigam também escolas analfabetas
viés notícias de televisão para cegar
a violência é produto vendido
tudo como resto do almoço na janta
migalha de sorriso
cidadão mendigo

Vão indo esperanças
seguem tristes mortes
caminhos cansados
sofrimento fútil combustível injusto
salário máximo privilégio e miséria
mansões no inferno terrestre
barraco desabando no montanha de carinho
és o terrível cargo de dor
crachá chip mental marionete
 a esquizofrenia latifundiária 
shampoo arrogante aos cabelos ferro
 toda a invalidade do mundo

Deita na sarjeta de gelo esgoto
queimando a indústria dentro do corpo
amargo câncer  ascendente açúcar refinado
diabetes tensão cardíaca e sal
telefone carcinogênico liga para você
mas a saúde lhe abandona 
pagador de impostos
encolhido no chão com o feto
é também a criança esse adulto
infortúnio sem futuro adolescente
tudo nulo

Agora é ferido por palavras 
eis fria fina poesia cotidiana que fatia
coração triste bate bate a cabeça em parede
o relógio cai nossa vida 
a esquina e vento sujo
poderosos arremessam entulhos
tanques de guerra e cérebro bélico
grades e febre rosa remédio de farmácia
chá de genocídio bruto lucro fútil
sangue de ser bicho humano abatido
também do lanche animal extinto
enlouquecendo humano sozinho
morto vivo








segunda-feira, 13 de abril de 2015

Alarme Global








Oh humanidade
 sua suja carne invade toda parte
um câncer eletrônico manual
 riscos traçados militares
 pura sede contaminada
 os grupos químicos digitalizados em pele
são pílulas de mau estar vivo caindo
caminhos bombardeiam flores
veias abertas na velhice precoce
são agora crianças vísceras ogivas vítimas
riem drogadas de web e tédio
prostituídas por água suja
tudo o novo velho
um mundo devastado cor de cinza
eis robô diz aonde ir
exato nada
bunker do coração
horror cerebral
carne de chip


São agora carros e bonecas
jaulas macaco estilo roupa contaminada
o laboratório abismo jardim da infância
futuro primitivo uga uga
novos aviões Enola Gay sabor indiferença
distribuem sacos de lixo resto índio
censurados berros gratuitos mendigos
ouvidos no alarme profundo
estado estrago vírus bactéria bélica
última moda de Paris doente
ataque do pânico anilina
bola cenoura Napalm
café com sua tia acabada em lágrima
bizarra taxa cara e vasta
a conta matemática errada dos seus dias
aflição viva da sua vida
socorro proibido
restos vivos em perigo
ataque químico


Ser miséria velha
superpopulação na tarde
delírio coletivo em febre cinema
cadeia pública
o açougue carnaval
punição básica música
universidade do crime 
loucura hospício reabilitador
 pular do prédio encantado número 1984
tomar teu veneno madrugada
assistir o canal problemático
deitar na casa triste a rua
cor cinza agonia
uma indústria de móveis
teus cômodos do coração na esquina
infartos depressivos em máscara alegre
mansões do sono remédio aos pés
pesadelos em suas colchas carnais
ferida travesseiro
pesadelo


Ruas costura
nó visão cega
cada quebrada peça
quebra cabeça de educação falida
corpo queimado inverno
o labirinto lápide
a poesia finca
analfabetismo nuclear
usina radioativa das letras
raio gama nos derrubando
sem amor
sem saída 
o beco história pós moderna
às sobras contaminam fins
inícios dos restos rastejantes
são os sonhos pintados com césio
vinculados ao amargo fardo desamparo
a natureza sua linda inimiga
falecida vítima
tristeza vizinha
a agonia


Veneno fetal infeliz
genética Frankenstein
planeta devastado com flores de plástico
continentes funerários
a brincadeira desespero
é o parque crianças e medo
 adultos mísseis desfiladeiros
é sempre para baixo depressão
sua extinção humana
mercado final
tudo bizarro
alarme global
gritaria de bebê
é você chorando
pequena dor universal
sou eu você
piano ao fundo
nota lágrima
tecla de nós







sábado, 21 de março de 2015

Guarda Roupa





São vestidos com rasgos
guarda roupa de vazios
a endumentária carne machucada
estou humano vestido com planeta
terno e gravata nuclear
há o casaco de lágrimas coletivas
uma calça preta poluição sonora
são ruas nossos desesperos de cetim
meias desenho desgraça
tinta de sangue e pau brasil
vestuário terror amassado
tecido da extinção

Nosso armário do sentimento rejeitado
a velha blusa solidão
combinação calcinha doença venérea
cueca patológica machista
tudo adquirido na liquidação da esperança
os trapos moda dos anos passados
são velhices morais em leis
é camisa pesadelo
algodão cru da fome e medo
 cinto miséria
broche horror

Casaco do suicídio global
agonia aos fios frios do calor desumano
roupa queimando índio
uma pena de pássaro esmagado
bicho pele arrancada
sapato problema crônico
chapéu doença mental
um cachecol da tristeza grossa

Uma lingerie para a noite da guerra
crianças pisadas pano de chão
idosos costura em parede
balas traçante corte de modelagem
moda sofrimento

As roupas de amor não cabem mais
camisa de força opressora
pijama despesperado modelito
decadência engomada
bermuda cor desisto do sonho
blazer sem socorro
chinelo pobreza

Há coturnos marchando eternamente no rosto
medalhas destruindo coração
sobretudo o nada

Não pode ficar nú
o uniforme obrigatório magoa
é o trabalho
destruir o mundo
fardas



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tristeza e Frio







Multidão gemendo em coro
escorre pelas ruas com fel
preenche copos de cólera festa
somam cubinhos profundos de fezes
acrescidos com gelo social adocicado de alienação
uma plena amargura enganosa aos nossos dias
dança na beira do abismo
bêbada e triste
eis açúcar que não salva
nem alivia vida
oh nós


Um chuva ácida sensação
gotas de lágrimas fúnebres gratuitas
fere com seu frio pago de ar condicionado
uma cidade para chamar sua ignorância
vomitando uma bílis fresca
para um forte ausente abraço


Poças de solidão congelada
há o vento vazio sem sementes
beijando esse chão duro coração
um inverno ficou
estações o sabem


Cientistas e padres apodrecem
permeados de lama existencial
caldo lodo cáustico inerte
sem mexer no deserto nuclear
 o químico do ser humano
algo que faça sorrir
banguelas do hospício letal
o perigo diminuir


Já é tarde e tudo se vai
feio para a crise triste
um passeio sem chances
indo a lugar algum
assim fechamos nós
a abertura desunida
um voz despede pedaços
sonho largado


Não há perai
a dor entra sem bater
 prédio rasgado de papel higiênico
um intestino esmagado ao cárcere florido
um grafite pelas paredes
bonitos desenhos inúteis coloridos de dor
pintura rupestre de peste pessoal
trata-se do globo
planeta ao menor ponto
um ônibus passa em cima do amor
idoso Amaral 


Há uma notícia pior
tudo podia ser melhor
mas não dá mais carinho
agressão aos inocentes e banho em sangue
falta de água alegria
agora apenas tapa da cara
navalha e canto sujo
música


Cantam lunáticas mudanças de relógio catástrofe
é um mais do mesmo madrugada maldita
a dolorida ferida viva
ruas da cidade ruína
nem menino nem menina
é a morte adulta
aos pés da sepultura
dizendo pague o resto
o agora velho quilo carne
um bebê flor no lixo
ele é você 
eis o ser


Sou cinza cidade
uma sujeira azeda
minha imagem no espelho
é meu próximo


Assim afundo junto contigo
durmo profundo na fornalha
um inferno de estranhos fliperama
você e eu sozinhos continentais
embalados em violência
não há saída só o fim da vida
como frio da rua
sedento choro nosso
uma catástrofe mundial
minha pessoa
seu ser
nós









sábado, 17 de janeiro de 2015

Aviação







Poucos passos dar
levanta voo ao eletrônico hangar falido
doa dor beira abismo
caminha em si o fim e segue
analgésico navalha asa
faz carinho falta
fita o nada

Frio verão veio
abraça fezes febre nuvem
nave incêndio e ar condicionado
banho chuva de lágrima frita fuselagem 
ácido choro de sangue 
carga de ar viciado
pulmão vício vírus vizinho
arde brasa o brilho triste
combustível barato de sofrimento
visível queda ao radar
ônibus espacial

A lua é vala
apaga luz esperança esgoto
aéreo rosto de ninguém
horizonte e moscas cintilam
fede corpo torto cansaço
seu hospital doença móvel
barricadas ao léu firmamento
zumbido vento imaginário a esquizofrenia
grita música fim de festa
ouvido surdo fone de ouvido
tudo uma loucura rouca
sublime acidente vêm
vidro visto perigo

É a queda depressiva
ponto terminal
lugar qualquer
cidade perdida

Ataque de nervo óptico
turbina coração sentimento falha
estação precipício chão
sem incômodos caindo
 sono sonho em pleno pesadelo
pouso forçado
explode a vida


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Frutos do Mar









Ainda lodo de hospital mundo
caldo cadáver servido cardápio
bobo de morte sorrindo câncer
Fukushima beija Chernobyl
riso do peixe morto
chorar no deserto
eis negócios

Jantar a luz de césio
ar pesado sem luz
um Japão ali na mesa
nossos corpos carpete
capacho capital

Cozinha para visita
veneno fruto do mar
é amargo seu doce
podre sabor do gostoso
óleo enjoo e fogo

Serviço de bordo senhor
grito mecânico coração
carro afogado piscina veraneio
rio dezembro barras quentes
despedaça calor fusão nuclear
engarrafo litro coca cola amor
todo o ser é passeio hemisfério norte
come seu atômico
como se escreve miséria barriga
tatuagem genética de doença petisco
células loucas de lixo
robôs batendo fotos de si
imagem Tepco

Prato principal mamãe e papai
garfo no coração de filho
desespero na panela
agonia alimentar

Placa da entrada seu nome
porquê não se lê ego feio
blá blá de endereço culinário
é sempre você indivíduo
fatiado e bonito verão
desaparecido oxigênio
digital extinção
bip bip botão
é o restaurante em incêndio invisível
tudo em fogo de calor desumano
assim nos fritando

 Dizem sobremesas bebês tortos
argumento teatro família dinheiro
escultura de ruína pintura do local
estadia sempre de cima escada poder
garçom trazendo a si para comerem
cai para baixo bem pesado
gene colapso público
  vais se doer vivo
arde ler
nada
ser

O coletivo nulo
silêncio indivíduo salão banheiro
água contaminada na boca sem dentes
pasta  fria depressão
mares buracos de tua praia cinza na vista
grite ao passado digestão
surdez futuro mundial
 colher de sal cheia boca a dentro
cada hora minuto de refeição novamente
tempero nuclear

Restaurante perverso
sirva serve sinistro
destruir o ser vivo
 você e eu
nós
nos
extinguindo










segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cumprimentos








Boa noite
pesadelo
dia inteiro

aperta botão computado
tela fria açougue
prateleiras vazias

viver o que
onde há ser
feliz fim? 

Boa tarde
parte ruína 
cansado fali
gravidade
cai pra baixo

gotas corpo lágrima
duro coração
queda alegre
infarte chão
frente fraca
febril agonia dói
teu bom dia

Morta esperança
boa noite olhos fechados
sol inferno lá fora
gelo humano dentro
fim fino frio





domingo, 7 de dezembro de 2014

Esgotamento








Tristezas beijam cálidas mágoas
ressentida viva
fixa seu abraço vazio
inexistente laço contato
separa olhos
um nariz e poeira
álcool  na boca
algo desespera
fumaça chaminé indústria
a todo vapor fétido
o nada

Aperta concreto quente
coração congelando azul rede social
ala ansiosa noticia 
é solidão vírus
 ego erguido perigo
sozinho indivíduo
multidão de ninguéns
sorriem loucuras salgadas
mar do tempo
barco náufrago
veneno

Agora grito mendigo
é pobreza coletiva dos ricos
miséria popular
jogo nas sombras
restos de nada
amam nós
vícios

Aperta botão
máquina ilusória 
telefona sozinha
ligação perdida viva
aflição brutal e açúcar
suor frio verão
agonia

Pique pega doença
criança creme caldo refogado
pinto boi e natal
adulto deseja pular prédio
papai noel voador
renas angústias
sofrimento

Sua vida abismo
por um fim filme
bélicos em fogo 
vomitam seu não
longe de sim
futuro bagulho
socorro

Guerra e bomba chocolate
amor validade vencida
ser desunido vivo
crack dito amigo
vírus

Centro da cidade cinza
  sarjeta de carne
sangue tinta vinho
escrito resistência ou morte
livros






sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Desespero








Tristeza sarjeta
garrafa cheia sentada
copo corpo vazio
cigarro sorriso saúde apaga
cresce falta
subtrai a soma
onde não se divide bem
mal multiplicado feroz
farto desencanto 


Era uma vez
alguém você qualquer
perdido no moderno
alegria vida lixo químico
fez banquete
come rua suja
molho depressivo
carne câncer 


Dança a música tragédia  
cantando sofrimento casa
ouvido machucado
alarme sentimento
silencio poluído


Pesadelo acordado
manhãzinha chorando sozinho
dorme papelão desejo
suspiro saco comida podre 
oportunidade infeliz
frito e cozido de si
 

Suco de pilha café
o que fezes aqui
vida vicio 


Giro em círculo errante
loucura e problema
 amigo proibido
lar risco
ser perigo


Sobras endechas
resto e raspas
letras carta
bilhete afeto
despedida viva


Lágrimas do esgoto
poluem a cidade
submersa de merda
angustia afilia a fila
todo dia


Socorro grita o povo
vozes no lodo
 morte geme sexo
poder dinheiro
podre viver


Guimba cigarro
gole algoz grito
tonto manco macaco humano
foi decidido agora mendigo amor
individuo vendido
barata e rato


Vitrine condenada
vidros cacos de sonho
liberdade manequim quebrado
 dobradiça vida vazia
parafuso ao nada


Pula fim
abismo infinito
laminas faca em si
sozinho e livre


Amargura beijo agonia
suicídio menino
precipício   

 




sábado, 13 de setembro de 2014

Amputação








Dor aguda agulha
caminha na sala de desespero
sem sair apenas fica
círculo de ar viciado
gritos sobre perigo
vírus vestígio vestido em aflito
ausente encontro ao caminho
apenas em pé
dá muita dó de nada fazer
nem sentar ou dormir
embala sofrimento saco vazio
o homem e a mulher
filhotes secando no varal açougue
sonhos amputados
pesadelo bizarro

Cabeça caída psique ruína
tristeza para ver tv
notícia em cima da merda
tela fria modelo 1984
assiste nossa vala
tiroteio lazer
escola escombro
   
Acordado em frutas podres
uma feira de vaidades gratuitas
legume veneno velha marmita
idosa vida cara no lixo
agonia noite e dia
abandono hospício hospitalar
 ausência e aflição com analgésico sem efeito
teus médicos são lixeiros
saco dos detritos abertos
a esquina eis hospital

Amor sem créditos
amizade lucrativa capital 
inimigo gratuito
ser perdido individuo
abismo de si
vazia queda profunda
lenta perda total 
lágrima lubrificante da morte
nosso falecimento vivo

Comércio do resto velho
corredor cotidiano falido 
perspectiva maldita
fígado e pâncreas fritos
pulmão fumante doce tosse tuberculose
bom dia aids e ébola  
doença sem cura bate na porta
oferta no mercado alegre
uma promoção triste  

É o corredor em incêndio
sala de desespero número da sua casa
bairro cidade mundial
necrotério da esperança com enfeites
uma jaula agressiva e rosa chamuscada
clínica para olhos cegos doloridos
enfermaria sua mansão em chamas
sem fogo apenas frieza
aceita um copo de esgoto gelado
um biscoito grosseiro 
sabor fezes industriais 
 
Ouve o barulho
Lá lá lá do blá blá blá
música enlatada para vida migalha sardinha
noite fria passa quente inferno
fala fatal do cantor sufoco
guitarra agonia solo sem água
bateria puro desritmado cardíaco  
um coro ardendo com urina
a pele arde tarde eterna

Transporte da carcaça
bilheteiro na quantia cara
leva aos confis sub humanos
roda e roleta sinistra
motorista em tanque guerra
cidade dos medos uivantes
vento contaminado no boa noite
madrugada maldita perdida

Passa atraso largo vasto
relógio tic tac que invade  
solitária multidão patológica 
atrás amargo teu azedo
corre louco sem pernas
se joga cotoco ferido
balas de fuzil sabor morango
meu coração granada de mão
estômago embrulhado
primeiro pedaço do bolo fútil fúnebre
 presente aniversário
sem futuro 
        








quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Rastejo









Rastro entre restos
raspas na migalha cinza comida
pedaço prédio jogado fora
sobra esquecida cimento
a batida cardíaca desliza
eis o chorume lubrificante
hospital jaula pintada com merda
marron bombom engolido
bolso gordo plano de saúde doente
pagamento à vista vida
custo olho cego da cara
assim pisado com coturno
estado péssimo estrago
corpo em cansaço vasto
sozinho solitário
cidade cérebro 
 

Segue a peste nada leve
toca na porta caída do sentimento
o incêndio apagado
rescaldo com lágrimas sujas  
      um chão duro ao sentir 
a humanidade em continentes
o escravo mendigo abandonado
índio cuspido na cara 
saliva do catarro acido sulfúrico social
patife patrão podre
 soco na surra ao global nativo falido
arrasto de farrapo que se maltrate
dano lasco
todo vago
ser perdido


Mecanismo febril relógio
ponteiros empurrando no buraco
genética ultrapassada carne
sem futuro no prato mijado sabor verme
lixo colorido pseudo comestível 
esmola dor gratuita
sempre escolaridade algema dada
  sofrimento cifrão cela
riso elétrico já velho
lucro luto
 sangue duro


Filhos para a privada
fazem fezes nas bocas
fome intestinal perversa
fronteira África ferida de ebola feliz
uma Europa antiga ladra sorri
 cúmplice e escrava América
planos em Ásia
tecnologia radioativa
cega Oceania balde de lixo nuclear
qualquer problema serve
ferramenta desespero
choro euforia extintora
oh capitalismo pleno


Segue a fila
fulmina vida
definido grande perigo
podre gratuito abismo
agonia grito em vírus 
todos nós jogados no lixo
entulho vivo





 
                

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Inverno Sonoro







Frio gemido em coro
canto gelado
solitário pedaço perigo
nota grito
rua sem sol social
dó ré miséria de amor
fá faz do nada
timbre descompasso
melodia iceberg
som gelo



Grave frieza humana
aguda fome sentimento
marquise casa vala
valsa mal amada alma
vasta frequência invisivel
letra apagada



Ouve vazio
partido coração partitura 
nenhuma flauta doce
apenas barulho
sozinho noturno
ferida instrumento
piano dor



Ouvido surdo
boca já muda
assim música






quarta-feira, 23 de julho de 2014

Palestina








Entre soluços e lágrimas
bombas caem em pequenos corações
corpos vermelhinhos magoados
banhos de sangue cheiro de bebê
crianças mortas
tristezas vivas 
 governos decidem fins feios
fatos finados fúteis pútridos
horrível lágrima da paz proibida
pombinhas brancas na gaiola
cometem o azul suicídio



Arrogância humana na munição
atira em todos nós
o mundo em guerra
ataques de pânico nos milésimos por segundo
avanços no atear fogo
crimes de guerra
leva e lesa 
jogo de chute bola letal
brincadeira arrancada
belas flores que esmagam


Tanque bélico da maldade
inúteis pedras voam
caem no abismo
junto das lágrimas





sábado, 19 de julho de 2014

Queda









Crise global cinza quente
picolé de esgoto derretido
horror açúcar infantil
sacola plástica almoço de baleia
guerra mundial coca cola estragada
aids capitalismo gratuito
és o oh do ah sem oxigenio

Entupindo artérias com gordura agonia
carrinho de bate bate engarrafado tráfego
coração cidade cérebro bombardeado
ideias impedidas choram em becos
apanham do dinheiro verde
árvores cortadas queimam com petróleo
sorrisos de caixa registradora


Solitários morrem no cotidiano açougue 
tristes na via vazia esquisita
corredor automático para o nada
sentenciados culpados pelo crime de inocência
crime laboratório lucrativo colorido
luzes de penitenciaria loja da moda


Horror patético sabor anilina
conservantes para pesadelos
gripe voadora
tristeza azul


Gritos de socorro chutados
coturno estatal pisando eternamente
uma humanidade faliu frio
estamos em navio afundando
somos o avião que cai
 



    

   

terça-feira, 15 de julho de 2014

Inverno

 
 
 
 
 
 
 
 
Andando sozinho
labirinto território mental
caminho acabado
eis o abalo
cabeça cansada
corpo pouco
beira de abismo
navalha na mente
 
 
Uma vala de esperança
corre esgoto em céu aberto
olho as nuvens doloridas
fumaça líquida do desafeto
carinhosa poluição
abraça forte
 
 
Tristeza casaco
nosso frio fiel
pobreza osso
 olho ferido
saúde doente cor cinza
alegre sorriso suicida
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Copa

 
 
 
 
 
 
Futebol da crise saúde
chute da copa topada
dopa mundo imundo
escola sucata camisa rasgada
cérebro lavado limpo da revolta
terceira divisão mundista
suor de sangue
 
Televisão no campo minado
guerra ao jogador
bola furada placa taça planeta
faltam árvores técnicas
arbítrio cartão vermelho
espécies extintas
propaganda uniforme
cabeça distorce
 
Desemprego na torcida
vasta pobre fila
FIFA falindo vida
ingresso caro direito apagado
remoção ao time de analfabetos
escalados no álbum figurinhas criminais
repetida volência
centro avante
 
Restos aos pobres
vestiário da dor
segundo tempo
atacante gol da miséria
placar fechado
zero
 
 
  
 
 

 
 
 

Itinerário

 
 
 
 
 
 
 
Dentro do cansaço pouso dor
não se pode sentar
em pé apenas espero
diante do vento ausente dinheiro
vastos dias eternos sem dormir o sonho
ao passo iminente pesadelo
é o ponto de ônibus da sala desespero
estação loucura vida
caminho ao vazio
 
Machucado do correr
sei que atletismo chagas
perversa linha de chegada
 profissão que me forçam
choro uns objetos inúteis em bagunça
a ilusória organização central
uma comida digestão triste descontrole
grana gramado proibido
uma casa plaquinha
 
Conjunto da entrega total
 carinho embrulhado com afeto
 visita corpo menina em poesia 
 livro grito escrito poema
amor sentimento e carne sem medo
amigo companheiro mesmo no abismo
artigos tidos invisíveis
doação e afeto especial
agora visto caixa com lixo
fora do dia
descarte
 
Acordo cego para olhar
é cedo e sedante
a tela fria o gemido eletrônico
a novidade é quando não ver
logo fique mal sempre
inocência proibida e besta
apanha pela rua
ontem e hoje
futuro nulo de jaula e muro
deseja a violência
nua que anda pela rua
grita ao meu ouvido não pinico
fezes de falas frias
fúteis víboras
 
Cansaço no ponto
ônibus costura cicatriz
adentro coletivo
a vida em virus vai
baixada depressiva
processo crime creme lucro público 
proibida viva inocência
nossas tristezas de famílias
não pagam caro aluguel
possuem casas próprias
vidas agora vielas
becos sem saída
 
Endereços do transporte
vias cortes antigos pela boca
costas também em dor
soco rua murro
um subúrbio das sensações
faz perna hernia tremer
cabeça pesa quase suicídio
pensa no antigo quarto escuro esquina
o eco em dor cama depósito
tristeza e solidão namoradas
 
Uma lágrima de ácido sulfúrico
cai para dentro
percorre corpo lodo
acerta tolo 
solitário coração
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Agonizando






Vida livro apagando
fogo sombrio suave 
madrugando temor
cegueira iniciada
areia aos olhos nossos
céu cinza sem faxina

Estamos tristes em cifrão
ofendidos em cegueira
feridas no corpo copa
catarro futebol verde amarelo
tv hiv para você hepatite c
escola esmola apenas piora podridão viva
doença hospital de morte

O cão morde gato
a ratazana sorrindo
coração concreto racha
existência terrestre beco sem saída
planeta profundo afogamento

Ignorância ligada
fios na usina nuclear
carícia via boneco robótico
canal aberto solitário
show espetáculo
preço alto e caro

Lambo o chão em beijos
carinho na parede urbana
amarga  loucura açúcar refinado
a fila anda em círculo
dou lugar ao mestre
ridícula escola vida
me agride rotulando de violento
por apenas vivo
ler você
outro eu
humanos somos
proibidos

Me querem voando abismo
queda gravidade
rir de tristeza alheia
assegurado tijolo cela
areia em boca
ódio empurrado
inocência proibida
idem defesa
querem aids

Acabo por pensar
suicídio embrulhado
comer em casa
dormir em rua
corte de navalhas
queda  de prédio
fim da perseguição
doce fim
algodão morte
parquinho









quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tempo Perdido







Frio  mendigo
avenida cidade medo
rua esquina perigo
gélido verão 
aquece a ilusão mundial
oh tempos nossos

 Chuva de lágrimas
molha pesadelo acordado
enchentes no sentir e pensar
tristes maios ou dezembros
ano inteiro ânus ao estupro
tanto faz corpo roubado
trabalho  salário todo escravo
longo outono cansaço

Injusta empresa transporta gente
uma presa pressa engarrafada
trânsito  inerte trágico
 animalesca viagem carne dolorida
perversa lida dos dias açougue
imóvel frieza lentidão humana
inverno infernal

Futebol seleciona escola vazia
hospital é um leito corrupto infectante
sempre há guerras biológicas por cifrão
desamparo capital alado
país emoção em ruína
ausência do teto
 primavera sem terra

Planeta virou cidade
triste proibida árvore
frutos negados
 arma assalta vasto pobre
injusta riqueza em cargo
doença civilizada agonia
viva extinção gratuita
horda sobrevivente solitária
vento na fresta na cara do fim mundo
humano bruto
cheio de vazio

Sinal verde aberto da exclusão
classes dominantes e dominadas
governos doando overdoses
drogas na fuga
nulo futuro
entulho

Caminho anti-livro vivo
passeio você e eu
eles em mãos dadas para nos separar 
estão alegres pela tristeza daqui
insanos covardes violentos caquéticos
vomitam sua bílis preconceito
 poder apodrecido vício
deturpa cavalo de aço vital
macabra mentira esfregada
nossos rostos ralados
bocas cortadas em censura
caem em cova rasa
agonia tempo
vento nuclear

Vida passageira eterno rascunho
mapa inacabado pela destruição
aplicam dores no peito quente
bate o coração em parada do ônibus cardíaco
 proibem a todos o amor ir e vir
explícito carinho negado cor cidade
um restaurante chamado fome&sede
saudade e solidão nossa
s.o.s poeiras
nós





Churrascaria






Casa churrasco gira seu perigo
humano mar molho problema
navega gosto plástico caldo
petróleo ao ar fumaça
navio sabor aço tomate
caçando baleias ou bovinos e golfinhos
perseguem galinhas meninas
brigam batendo em carnes pacíficas
gula aparelho de jantar social
 frio inox endereço
planeta

Sem sentido horizonte
sendo carcaças saúde
uma escola sucata papel alumínio
hospital mosca varejeira
faca cortante dos sonos cama de insônia
gritos para música alto grude madrugada
lavagem aos pobres

Metal pesado boca chamuscada com alecrim
línguas alienam petiscos corantes
câncer nosso tempero folhas de processo
alimento prazo de validade vencido
gordura dívida etiqueta
vírus bicho
vós

Vida urbana fétido perfume de comida estragada
visitantes ricos ao restaurante arroz algoz colorido
prédio e viela de veia velha ao organismo colapso
antirural lata do lixo arbóreo salada ausente
queimada amazônica paulista na panela
rios de janeiros do absurdo sal grosso

Batata machista porrada masculina
carne machucada feminina
outros seres machucados legumes
tudo pronto ao forno complexo
alta temperatura testemunha
aquece violência antiga indesejada
fogo aceso no prato predileto
cardápio histórico infeliz
indivíduo biscoito enlameado
paladar enjoativo nada bonito
destempero bruto agridoce
 indigestão da tristeza para todos
banquete depressivo de famílias

Frigideira da farofa mentecapta orgulhosa
cozinha industrial para azeite azedo
pães duros como entrada
pessoas salsichas nadam piscinas líquido dinheiro
poder dono da rede alimentícia
máquinas de moer carne pobre
devorando almas
almoço executivo perverso
vida privilégio
meio dia

Cagam fezes fúteis empregatícias
podridão agoniza o agora
depósito a céu aberto pessoas restos
pano de chão para esgoto
limpeza ao vomito esperança
chamam isso  trabalho
chamo tristeza
nome próprio
garçom
apelido eu

Prato principal animalesco
voando pelo pesadelo sal grosso
céu sol queimadura na pele viva
terceiro grau alucinado avião em queda
carne presa mastigam com ferro
me querem nele estar quando cair
tenho sim tráfego acidente horror filmado
televisão manipula sobremesa sofrimento
querem culpa e condenação com cuspe na cara
sabor ameaça social montada
tristes fatos do cardápio
saudade

Entregam meu coração galinha ao lixo
pisam nele com ódio óleo queimado
gratuita agonia dos dias lanches vazios
palitam os dentes macabros
chefe de cozinha promotoria
toneladas de alimentos presos
latas de detritos campo de extermínio
sociedade restaurante neonazista

Desespera fibra alimentar
perseguem inocência chamando gruindo
 a feia gástrica autoria da legítima defesa
como culpa perversa punitiva pimenta aos olhos
churrasco de minha carne processada
 querem presunto
mortadela injusta
croquete velho
carne doente

Socorro vegetariano
sonho flor
justo livre
são