domingo, 28 de maio de 2017

Aflito da Silva Gonçalves





Minha vida segue perdida
me chamo Aflito da Silva
paciente da sala de desespero
ilhado em medo
chorando os danos
ausente de quem amo
tornando tudo sub-humano 
esquecido no abismo

Meu rosto branco do pavor
ilustra uma identidade frágil idiota
atendido pelo número de novo mendigo
ser inútil e depressivo
indivíduo vencido

O abandono numa praça mental em um banco
sento o cérebro doendo no cimento pouco
meu corpo pedindo para deixar a ida
agonia me vacila em má triste cina 
o chamado s.o.s perigo para a vida
pensamento suicida 
alarme no fim da linha
chance de auto carnificina 
fio de navalha que me varra 
minha morte farta

Sozinho no precipício institucional
carimbado em azedo e amargo
que valho vasto nada
me apago no desamparo
choro sem socorro


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Sono de Lágrimas



Seguindo perdido no frio
inimigo de si o eu sozinho mendigo
se arrasta cidadão da urbana sucata
limpa com lenço do poema à zero hora
um choro cai rasgando como navalha
fatiando  a cara
até o coração que se apaga
vida que escangalha 

Em sua cama suicida de agonia
deita o pesadelo onírico vivo
viés sonho despedaçado  
desgraça amarga
a vida bastarda
grita sua alma

Cabeça no travesseiro sarjeta 
cobertor felpudo de tristeza
solidão sempre solidária
evidência do vazio e o nada
um sono de lágrimas 
sonhando impossível  sorriso
proibido ser vivo

A cidade é seu precipício
afoga a cama
queda aberta
morte paralela
a vida ali sozinha se encerra
antes era bela
agora triste e velha
já era

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Cotidiano Letal




A escravidão da vida
pútrida indigna
extingue a via viva
antiga nossa trilha bonita
agora fica fria
guerra no dia à dia

Choro nos destroços
gotas no resto morto formado lodo
lágrimas do estudante crocodilo vendido
uma bolsa de apatia
a mochila da China
empresa na fila
inteiro desemprego
fome e desespero

O capitalismo de salsichas
estragos desunidos da América 
é uma baleia radioativa ferida
vomitando um telejornal
a internet fezes

O Japão de Fukoshima
está Chernobyl da vida
oceano alaga agonia
plâncton em chacina
não respira a vítima
vida viva

Bomba atômica made in Rússia
apresenta ausente núcleo sentimental
origem em coração vazio
vai à cidade Europa cinza
perdida

Brasil zona anti Amazônia 
 comércio de berços e bebês
vendendo o fígado da menina
uma alcoólatra cria
mãe em dejeto infantil
pivete pileque mundial
um feto dos fatos fatais
raspa de restos

O pesadelo reside em pobre 
pois  há ricos que podem sonhar
o pago sono injusto
nesse bunker bastardo
miséria e desamparo

A demência envia lembranças
passado futurista aos cantos temporais
dinheiro rascunho
plano funeral
jogo de guerra
rabisco inimigo

Emergência do incêndio veneno
contamina com bactérias e vírus
ser vivo vencido mendigo
colado no lixo
morto caindo do precipício
o jovem no suicídio

Raspas do nada
vazios fins de mundo
pessoas e animais
trancafiados pássaros
extinto o ser raro

Um avião contra o ar
a saúde privada sanitária
água de vala
novo tapa na cara
pessoa que apaga
imigrante caminha

Seguindo saída 
fim da linha
era ali a vida




quinta-feira, 20 de abril de 2017

Abandono



O cão foi deixado de lado
abrem porta para o desamparo
expulso ao mundo
perdido no labirinto
seguindo sem destino
nenhum amigo
fiel indivíduo

É uma criança
cachorro rapaz
o senhor idoso
a amiga maravilha
caída na elétrica avenida 
um trem passa na linha


Uma moça sem chances
o adulto apaixonado 
pivete do coração
detento sem visita
o mendigo tido como vírus
todos abandonados
expulsão do carinho
adeus vivo ao ser esquecido


Amigo e amor
se foi um dia
fim da lida vizinha
agora a solidão inimiga
vacila na vida


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Casa de Chás





Corpo em colapso desconforto
avizinha sua parada na cidade nefasta
momento difícil às cinco horas coloniais
passa o forte sufoco na agonia da tarde
ao chá e café com bomba nuclear
o ferro velho sentimental pousa
és a ave engaiolada da cidade!

Está ali a pútrida bebida
armazenada em chaleiras segregárias
bebem os excluídos de sonhos no local
ralo dinheiro é pago
miseráveis de salário sabem ser caro
pesadelo no ar regrigerado

Segue à mesa lógica atendida
sem emotividade benigna
cadeira de desespero
preenche com o trapo esquálido
farrapo humano de desamparo

Senta sentindo sinistro serviço
acolhido pelo vazio freguês
acrescenta a colhér de mexer caos
 pede erva de trevas pós modernas
mistura o enjoô e a liquidez
vez desamor expresso
indiferença fumaça
sabor vala e tapa na cara
ingere a amarga golada
gosto da desgraça

Há o açúcar tecnológico do desprezo
 enriquecido de urãnio mentecapto
engolido com a temperatura solitária
uma dor mundial de cabeça
povoa a fria xícara

É a casa de chás das lágrimas nossas!
Uma cafeteria do abandono!
Chás para todos os desgostos!

Engole ali a depressiva vida
beirando seu suicídio
traga o veneno coletivo
o triste ser indivíduo
humano perdido como vírus
um rico mendigo
paupérrimo dolorido
patológico psiquico ser vivo

Ingere biscoito tolo no lodo
molha ao caldo de desperdício
nome vulgar ao chamado sangue
uma mordida de alegrias não vividas
fez lembrar a escola menina
onde perdeu a aurora viva

Deitar no parque não é mais possível
apenas o pesado negativo em mesa
sentado nos problemas mastigando a dor
bebe o medo nervoso
espanta moscas ou mosquitos do tédio
perturba a garganta mental
amídala cansada em pãnico
passa a gosma malévola

O rosto gelado de lágrimas
ajuda engolir esse  farto fardo
vomitando para dentro
o desgraçado pedaço
biscoito magoado

Já caindo a noite doente
lamenta sua radioatividade chorosa
uma tristeza bélica e fotográfica tumular
se acolhe na calçada suja de humanidade
um telefone celular dormitório
entrando no sono da ignorãncia
adentra certos pesadelos pessoais
frases de poesia malditas são lidas
fagulhas vivas da agonia
a vida bela farta e bonita
agora cai perdida
segue sendo ai 
extinta


domingo, 12 de março de 2017

Veículo Comercial




É o carro do capitalismo velho
passando agora na sua rua
aceita usina nuclear carcomida
feridas radioativas vivas

Compramos vírus engavetado
bactérias de largo estrago vasto
desespero engarrafado

Velhacos mísseis intercontinentais 
egoísmo de segunda mão enferrujado
vencido tanque de guerra
patifaria bélica em geral
carro devassado de polícia genocída
quadrilha de víbora indigna
fóruns de justiça cara e maligna
restos de esperança

Compra-se velharia
abandonados direitos civis aniquilados
corpo social em desamparo
moradores de rua em trapos
cadeia violenta e escola hiper lotada
campos de concentração neonazista 
 sofrimento mútuo absurdo

 Revólveres de destruição em massa
comida desperdiçada  podre e vasta
sucata de vida urbana contaminada
panelas velhas da escravidão 

Lágrimas amargas
dinheiro sujo de lucro 
compra-se o mundo


sexta-feira, 3 de março de 2017

Árvore das Tristezas







Ando voando na agonia dos dias
sou folhas para em breve pousar
 um morrer meu de desespero
lida de injustiça fria a vida
passo caindo rápido pelos infernos
são circulares opressivos
 cidade carta marcada

Amigos mendigos dizem olá
rasgo pedaço desse coração taquicardico para doar um alimento
um vento predial me move no baldio terreno cerebral devastado
planto uma árvore no deserto humano
vegetal que sou solto semente
livre de livro papel escrito
celulose com dor forte


O social pedindo para me queimar
 gasolina gratuita dos dias
é um verão sem chuva viva
minha vida frita
há apenas lágrimas proibidas
  raízes secando as esperanças
nas folhas meus poemas tristes
com os maus dizeres das pessoas


Me expulsam em viveres
afastando da pequena floresta
jardineira moça bela
enamorada esfera
desejam apenas solidão e motosserra
minha árvore caída e velha


Uma terra feita pela televisão
a ilusão que acreditam de jornal
mentira que dirigem minha vida
ela grita de manhã todos os dias
a agonia de ser desfeito
madeira em motosserra psicológica
física tortura em corte
apenas mais um tronco pobre


Jogo flores brotantes no vazio existencial
me proíbem ser um digno
cortam liberdade de seguir indo
letras duras no galho seco me ferem pena
o ataque para me defender
 negado ser legítimo
cospem em meu ser vivo


Antes pacífico me chamam agora violento
uma poda para ventrículo esquerdo
cimento ao cérebro sentimento
grandes grades me prometem
punir cada flor e folha
virando lixo sem reciclo
réu no precipício





quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Residência





Casa de ar
tijolos feitos com vazio e ausência
residência do nada
abrigo vago a vida indo para o ralo
bueiro das oportunidades
abandono e desamparo da calçada

Aposento nulo sem o futuro 
cor de luto e a cama chão
pesadelo travesseiro
cozinha esfomeante com restos e vento
banheiro podre desespero 

Sala de mau estar social
quarto com parede saudade
não é ar livre a poluição
a decoração desola
rua da cidade
esmola-se a vida


terça-feira, 24 de maio de 2016

Socorro





Madrugada em trapo pesadelo
a fria favela das nossas vidas 
há desespero e tiroteio de angústia
uma febre para esquentar o coração
estou ficando louco de cidade tumefacta 
nadando no lodo horroroso
tortura na vala de lágrima
um beco sem saída para o futuro
 correndo no fogo cruzado
pedaços de coração e churrasco
me internem em baixo da terra 
hospício da mamãe natureza morta
a camisa de força unissex vestida
roupa para que o chão engula

A dor como calor desumano
meus becos do sentir e gemido frio
esse barraco corpo pouco e desabando
cansado de esperar para que apanhe
resiste doente em precipício social
a dor girando louca pela comunidade
inocência caçada como culpa pútrida
vomita bílis e vida horrível triste

A solidão uiva uma avenida brasil
carros passando em cadáveres
carne dada aos vermes

Vila Depressão de Olaria
Mau estar da Penha
Subúrbios da zona morte
baixada fluminense em queda
estamos em um inferno febril
a dor e o sofrimento se beijam
esquina do esquecimento número zero
bairro da desatenção macabra 
alucinações da realidade em vomito
uma repressão chamada cidade

Deito no canto do gemido 
a solidão sendo cobertor comunitário
dormo os nossos infernos gastos
pesadelos acordados ninam
é uma triste resistência popular
onírica realidade da desgraça
dorme profundo subúrbio dos dias
carnes periféricas do açougue mental
apodrece na sequência do sonho
desperta daqui a pouco para o horrível
acorda a comunidade em extinção
balas da munição monetária 
somos os corpos hospitalares
carcaças na escola esmola
pedaços do resto de esperança
inocentes tratados como lixo
banquete para o luxo e luto

Socorro para esse mundo louco
horror triste
quase prefiro estar morto




Amputação






Dor aguda agulha
caminha na sala de desespero
sem sair apenas ficar
círculo de ar viciado
gritos sobre perigo
vírus vestígio vestido em aflito
ausente encontro ao caminho
apenas em pé
dá muita dó de nada fazer
sem sentar ou dormir
embala sofrimento saco vazio
o homem e a mulher

Cabeça caída psique ruína
tristeza para ver tv
notícia em cima de queda
vida idosa velha violência
amputando cérebros sonhos
   
Pesadelo acordado em frutas podres
legume veneno velha marmita
idosa vida cara no lixo
agonia noite e dia
abandono hospício hospitalar
 ausência e aflição com analgésico sem efeito
inflamaçâo da infecta carne abusada
manobra dos governantes
ceifar cabeças com canetas

Apenas barulho
Lá lá lá do blá blá blá
música enlatada para vida sardinha
noite fria passa quente inferno
fala fatal do cantor sufoco
guitarra agonia solo sem água
bateria puro desritmado cardíaco  
um coro ardendo com urina
a pele arde tarde enferma

Passa atraso largo vasto
solitária multidão  
atrás  bizarro amargo
presente aniversário
sem futuro 
        


 


Chuva





Pingo ai
dor sem apraz
funda lágrima esquina
que deita
corpo molhado
chora ferrugem
 agora ferro velho

Não funciona corpo
prioridade vencida
data água que passa
olhos solidão molhada
azeda fila de espera
janela hospitalar caseira
mundo pessoal doente
sem doce analgésico 
chuva no coração  

Cabisbaixo apagado
catarro ao vomito
sofre frio
assim caído
desperdício idoso 
o hospital está morto  
fim do povo



Refeitório Social







Agonia alimentar com fome e corante
 destruição conservante tumoral 
devastando o estômago seletivo plácido
supermercado social distribui dor
endereço do restaurante das fezes infelizes
produzindo o prato do dia
uma madrugada intoxicada
vomita a sua saúde
triste anemia menina

Crianças negras despedaçadas
vendidas como carne barata
é um banquete da crueldade racista
chamada culinária da justiça

Massa salgada violência tida educativa
regendo um inferno humano qualquer
campo de concentração neonazista alimentar
fazem sofridos seres vivos a sua comida
sendo restos e vômitos no lixo

Abuso de poder no cardápio
fatiando direitos com covas
mesas do ódio central
pratos frios com relíquia histórica
gasolina queimando a panela social
receitas do chefe sofrimento

O poder sorrie sua doença interna estomacal
falsidade nos dentes afiados lucrativos
mastigam liberdades e justiças
réus inocentes queimados em churrasco
máquina de moer sonhos
sirenes temperando os pobres
negros açoitados
mulheres e índios
jogados no abismo




 

Farmácia





Ano novo avizinha a super bactéria
dançando pobreza nos coletivos
passos dados em estragos
um balé trágico em ar condicionado
epidemia em passeio pago
frascos disseminados
hecatombe e desamparo

Remédios de prateleira em visíveis saltos
dólares e euros sorriem um vírus emotivo
pagando para viver humanos bailes
as máquinas de laboratório giram
moribundos lucros

Mascarado lucrativo dançarino
a ópera hospitalar terminal
uma cidade em puro genocídio
teatro municipal abismo
perigo ao ser vivo

Mutação e inércia
cortinas pegando câncer
fábrica dos efeitos colaterais
a febre da platéia
a doença espetáculo
pílulas sabor extinção



Cacos de Canto






Canto sujo
fresta fria sonora
cidade eterna cimentação do músculo cardíaco
 dores públicas músicas
 letras na parede carnal
 analfabetos sociais regentes
 viaduto espetáculo ao nada
a casa que se apaga
penitenciária planejamento de moradia
governos constrôem jaulas alegres
gastos para rasgar barrigas sonoras
carros que passam
sinfonia do tapa policial na cara
água de vala em regência
bueiro instrumental

Rádio Chopin noturno de pilha nuclear
dejeto filarmônico inimigo
abraça flauta saco corpo em lixo
música do surdo
tanto faz mais vida lá atrás
mundo perdido dentro do umbigo
 remédio e sinfônico vírus
ser humano destruído
dança no precipício
o concerto fora de si
largo som vasto da miséria
língua coro podre e velha
lambe para comer
restos de si
 partitura fúnebre

Choro pela fissura violino
piano lágrima velha que leva
vida em ilha deserta
sozinho e nada alegra
uma cantiga velha

Gotas do oceano tristeza por todos os lados
banhando sua solidão
canto cidade
gemido social
assovio do ar poluído a sinfonia fria
ouvido computador da fossa auditiva
lucro capital gravando gemidos
um musical futurista
o perigo abissal de ignorância viva
a humanidade falida
vidas extintas
o grito é um silêncio
final vazio




Lama Financeira





Rio doce de sangue sujo
um adeus cor marrom
metal pesado do vasto desamparo
farto e amargo dinheiro ao mar
sujo lodo de dor
a lama cobre a esperança
sem oxigênio
o desastre veneno

Peixes choram fora d´água
rio de lágrimas contaminadas
através das barragens feitas
um mundo muro
 futuro em luto

Impostores fabricando corações de ferro
a natureza morta indo ser vala
linda água que estraga
a vida ali passava
a morte agora traga
humano bicho
o líquido que virou lixo

O pássaro que a água ali bebia
é uma hemorragia da vida perdida
lucros da tecnologia que tudo esvazia
um funeral planetário onde enterram
caixão marrom
 peixes e sonhos



Fraqueza Letal




Arrasto paredes das ruas
 rosto em cansaço no cimento
concreto levo a face arranhando
um chão de favela ensanguentada
existindo no perigo
tanto faz agora
sozinho sumido sorriso
seguir sentido beco sem saída 
tiroteio é endereço
assim me perco
a dança chamada cidade
prisão ala central
a casa custódia tristeza

Vivo sufoco
grito do socorro povo
virando uma música fúnebre
desespero precipício 
dormindo na beira da morte
engolindo remédio velho
 sono caindo
dentro do pesadelo
afundar sem demora
farto do amargo

Proibido se proteger sentir medo
o pleno desespero
plácido solitário na multidão
agonia todo o dia
para noites de  febre alada em gaiola
sofrimento coletivo e frio
lâmina de fatiar esperança
vida sabor ferro velho

Lotação máxima de vazios
superpopulação crescente
doenças trogloditas mentais
espancando esperanças
corre sangue suicídio
saindo por todos os lados
poros e furos
cortes de si


         





domingo, 3 de abril de 2016

Versos de S.O.S




No meio da cidade periférica esquecida
a madrugada mental solitária silenciosa
apavora o sol bruto rasgando concreto
numa sede em água suja banha o calor
caído canto e o resto piano 
toca uma música suave em pingos puros
para chuva delicada no pensamento
teclas da voz em coro doloroso
pois há um choro em meio ao fogo
estrofe sufoco
pedindo socorro


Protege o corpo como pode do soco forte
lá fora o pesadelo fere para entrar ao sonho
viver no atentado institucional custa pernas
dentes que fincam a comida imaginada limpa
barriga e sexo feridos de agonia
a busca do corpo para não ficar louco
tudo escrito nos sons do ar aos vãos
beco do sentir 


Anatomia das letras escritas com cortes
o vermelho que sai literatura para a parede fria
apagando um cérebro coletivo o genético brilho
a dor de todo ser vivo vendido


Arrastam nas tristezas antipáticas
bactérias e vírus disputando o ser em ralos remédios
uma imaginação de si por ti no carinho
pisando nas minas terrestres do ódio e lucro
todas essas ruas perigosas do lá fora
explodem aqui dentro em coração partido o resto de ser
sobrevivência escondida no esquecimento global
a partitura da rima aérea apagada
show de fumaça
avião na vala
cidade nefasta


Canção perdida na poesia da esquina
um estudante da sala sem luz musical
adulto analfabeto universitário
assiste a televisão cemitério
atores da novela econômica dizem para comprar
numa troca de sangue por comida a janta que se mexia
a escrevidão de todos os dias do lodo
uma galinha com cabeça de boi chorando
velocidade lacrimal humana
dor em todos os homens na fila
mulheres espancadas por maridos inimigos fabris 
uma indústria de carros para atropelamento e alcoolismo
crianças desaparecidas dentro do matadouro suíno 
uma imundice urbana paternal  e robótica
molhada por todas as nossas lágrimas vastas
a esperança escreve um verso de s.o.s
salve-me 
amor humano






domingo, 31 de janeiro de 2016

Navio de Colina






Passeios na montanha solitária
área cerebral do desespero e medo
onde estamos todos juntos
chorando chuva ácida nesse planeta radioativo
ex rios doces agora possuem catracas amargas
  estão com dejetos nucleares felizes
 extinção sorri banguela descendo o nível de espécies
agonia para pobres vivos carregar ricos nas costas
numa subida macabra carne escravizada
césio 137 sabor peixe lata marca oceano pacífico
bolsa cambial de água tonelada
Fukoshima e sua vala bastarda
que vaza farta desgraça
levada para cima encontrar a queda

Sacola do mercado câncer
subindo a ladeira
morro de mortos
boiando no ar pesado tiroteio
são as nuvens do precipício
 é altura confusa da mente humana
mentiras do jornal para limpar bumbum
a verdade do degrau irritado
passo dado alarde macabro
golfinho e humano tumefacto

 Há o lago no topo chamado mar em guerra
vulcão de extinções animalescas
subir os preços à comida como luxo
pessoas vivendo dentro do lixo biológico
gemer em sexo zika vírus como aids e chocolate escravo
Chernobyl esquecida no bolso furado
microcefalia governamental cega
vacas e crianças latindo febres
deformações editadas do filme de terror real
sem chance de saída havendo apenas loucura
a emergẽncia é caríssima
olhos da cara estátua sem fazer nada
internet inércia dos carinhos robóticos
mãos enferrujadas de corrupção carnívora
mastigam super salário para queimar índios
destruir florestas em tribunais floridos
sentenças do campo de concentração carioca
proibido se defender
também eu e você


A gritaria é com choros lucrativos
dor na subida quilômetros sofrimento 
acima do nível do antes mar agora esgoto lacrimal
solidões não suaves navegam nesse lodo
a cidade em pleno desespero flutua
o coração alardeia ataque sonoro apito de navio
socorro grita a garganta
formigas na vista de alto prédio
ruínas do sentir estampadas nessa popa
estamos à deriva asistindo tv
ecologistas extintos em troféus 
diplomas de vencidas profissões 
pilotando a máquina dos destroços
uma montanha com aparência do rosto humano
a vida patologicamente atual declina
num esquema transverso de engenharia
carrossel fuleiragem nuclear
pane sem amor
o navio é  um definitivo avião
sem ter onde pousar
 não há porto seguro
só futuro luto
vazio e mudo


Gritos de dor plenos conservados
tudo caindo no abismo absurdo
chances vendidas à bancos suiços de inferno dantesco
o calor e a falta de aŕvores mandam cartões postais
realidade virtual do passado na mesa de madeira
um computador em ar condicionado fútil
destruindo tudo sem parar
avançam humanos servindo
um banquete de fezes coloridas
a si mesmos


Desmorona a civilização automática
navio e abismo
lixo como comida
trangênica alegria alérgica
continuando assim
leque do puro frio suicídio 
seguindo cai do vasto abismo
muito cuidado
eis nosso mundo perdido
extinção e delírio
a vida como vírus
o perigo



terça-feira, 14 de julho de 2015

Indigente






Leito no frio
calor humano mendigo
sorriso meio fio
sarjeta de alegria
a cachaça passaporte cemitério
 avião de destroços
voa alto
saída do pesadelo
mundo inteiro

Serviço social necrotério
registro governo indigente
terra morada do miserável
pá é mansão lucro burguês
funcionários de poder 
assim ganham da morte do pobre
riqueza

Não se faz notícia
antes vivas feridas
agora esquecido e indigno
o mendigo




Automóvel






O cansaço vasto deserto
caminha solidão no olhar da parede
cinzas do tempo pelo canto da boca
uma música medonha para dormir 
o sono do caminho acorda planeta pesadelo
é hora de cair no vazio
pulo automobilístico do abismo
diz o chefe trânsito

As ruas de teu cérebro estão engarrafadas
há um congestionamento do sentir
pois pensar deve ser pago
moedas do ouro miséria velha
prestações do veículo corpo
um comércio letal de bebês
guardados em álcool do bar
encharcado no vício

Deita no veneno do banco de pedra
último modelo de tecnologia medieval contemporânea
bizarrices riem envoltas de lágrima combustível
é de fato o carro
corpo mecânico avariado
anos de chumbo em tráfego lento

O pesadelo foi viver o sinal vermelho em verde
a morte uma estrada ficou querida
a física inerte é o pesadelo  profundo
simplesmente por se mexer
o carro bate
a vida como acidente
faixa de pedestre
fim da linha